Do Comentário sobre o Evangelho de João, de Orígenes, presbítero
(Tomus 10,20:PG14, 370-371)
Século I d.C
Cristo falava do templo do seu corpo
Destruí este templo e em três dias o reedificarei (Jo 2,19). Os apegados ao corpo e às coisas sensíveis, creio, parecem indicar os judeus, que irritados por terem sido expulsos por Jesus, acusando-os de transformarem a casa do Pai em mercado de seus produtos, pedem um sinal. Por esse sinal devia Jesus justificar o seu procedimento e provar que era o Filho de Deus, o que eles na sua incredulidade não queriam admitir. Mas o Salvador ajuntou uma palavra sobre seu corpo, como se falasse daquele templo; aos que interrogavam: Que sinal mostras para assim fazeres?, responde: Destruí este templo e em três dias o reedificarei.
Todavia ambos, tanto o templo como o corpo de Jesus, compreendidos como unidade, parecem-me ser figura da Igreja. Por ter sido edificada com pedras vivas; feita casa espiritual para o sacerdócio santo (1Pd 2,5). Edificada sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, sendo sua máxima pedra angular o Cristo Jesus (Ef 2,20), existindo em verdade, como templo. Se, porém, por causa da palavra: Vós sois o corpo de Cristo e membros uns dos outros (1Cor 12,27), se entender serem destruídas e deslocadas as junturas e disposições das pedras do templo, como se lê no Salmo 21 sobre os ossos de Cristo, pelas ciladas das perseguições e tribulações e por aqueles que combatem a unidade do templo por contradições, levantar-se-á o templo e ressuscitará o corpo ao terceiro dia. Após o dia da maldade que pesa sobre ele, e após o dia da consumação que se seguir.
Seguirá de perto o terceiro dia do novo céu e da terra nova, quando esses ossos, quero dizer, toda a casa de Israel, serão reerguidos, no grande domingo, em que a morte é vencida. Assim a ressurreição de Cristo depois da paixão contém o mistério da ressurreição do corpo total de Cristo. Como aquele corpo de Jesus, sensível, foi pregado na cruz, sepultado e depois ressuscitado, assim todo o corpo dos santos de Cristo com ele foi pregado na cruz e agora já não vive mais. Cada um deles, à semelhança de Paulo, não se gloria em coisa alguma a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo por quem está crucificado para o mundo e o mundo para ele.
Por isto não apenas foi cada um de nós, junto com Cristo, pregado à cruz e crucificado para o mundo, mas também, junto com Cristo, sepultado: Fomos consepultados com Cristo, diz Paulo (Rm 6,4) e acrescenta como quem já recebeu as aras da ressurreição: E com ele ressuscitamos (cf. Rm 6,4).
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SOBRE O AUTOR DO TEXTO:
Orígenes
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
| Um grande escritor do primeiro século da era cristã. |
|---|
Orígenes (em grego Ὠριγένης),
cognominado Orígenes de Alexandria ou Orígenes de Cesareia ou ainda Orígenes, o
Cristão.
Nascimento: Alexandria, 185 d.C.
Morte: Tiro, 253 d.C.
Foi um teólogo, filósofo neoplatônico
patrístico e é um dos Padres Gregos.
Orígenes foi um prolífico escritor
cristão, de grande erudição, ligado à Escola Catequética de Alexandria, no
período pré-niceno.
O maior erudito da Igreja antiga -
segundo J. Quasten - nasceu de uma família cristã egípcia e teve como mestre
Clemente de Alexandria.
Assumiu, em 203, a direção da Escola
Catequética de Alexandria - fundada por um estoico chamado Panteno, que se
havia convertido à mensagem de Jesus - atraindo muitos jovens estudantes pelo
seu carisma, conhecimento e virtudes pessoais.
No decurso de uma viagem à Grécia, no
ano de 230, foi ordenado sacerdote na Palestina pelos bispos Alexandre de
Jerusalém e Teoctisto de Cesareia.
Em 231, Orígenes foi forçado a abandonar
Alexandria devido à animosidade que o bispo Demétrio lhe devotava pelo fato de
se ter castrado.
Também, contribui para isso o fato o de Orígenes ter levado ao extremo a
apropriação da filosofia platônica, tendo sido considerado herético.
Orígenes, então, passou a morar num
lugar onde Jesus havia muitas vezes estado: Cesareia, na Palestina, onde
prosseguiu suas atividades com grande sucesso, abrindo a chamada Escola de
Cesareia. Na sequência da onda de perseguição aos cristãos, ordenada por Décio,
Orígenes foi preso e torturado, o que lhe causou a morte, por volta de 253 na
cidade de Tiro.
Produção teológica
Orígenes escreveu nada menos que 600
obras, entre as quais as mais conhecidas são: De Princippis; Contra Celso e a
Héxapla. Entre os seus numerosos comentários bíblicos devem ser realçados:
Comentário ao Evangelho de Mateus e Comentário ao Evangelho de João. O número
das suas homílias que chegaram até aos dias de hoje ultrapassam largamente a
centena.
Pensamentos :
"O
Espírito sopra onde quer (Jo 3, 8). Isto significa que o Espírito é um ser
substancial e não, como alguns afirmam, uma simples força ou atividade de Deus
sem existência individual. O Apóstolo (São Paulo), depois de enumerar os dons
do Espírito, prossegue: "um só e o mesmo Espírito opera todas estas
coisas, repartindo particularmente a cada um de acordo com a sua vontade"
(1 Cor 12, 11). Portanto, se atua e distribui de acordo com a sua vontade, é um
ser substancial ativo, e não uma mera atividade ou manifestação.”
Orígenes, embora não duvidando de que
o texto sagrado seja invariavelmente verdadeiro, insiste na necessidade da sua
correta interpretação. Assim, teve a suficiente percepção para distinguir três
níveis de leitura das escrituras:
1- O Literal
2- O Moral;
3- O Espiritual
Santíssima Trindade
Orígenes, como é comum nos escritores
cristãos, influenciados pelas doutrinas derivadas de Platão, coloca as Ideias
platônicas na Mente Divina, na Sabedoria de Deus. O Filho de Deus, Segunda
pessoa da Trindade, é a Sabedoria Bíblica: Mente de Deus, substancialmente
subsistente:
“[…] Deus sempre foi Pai, e sempre
teve o Filho unigênito, que, conforme tudo o que expusemos acima, é chamado
também de sabedoria (…) nesta sabedoria que sempre estava com o Pai, estava
sempre contida, preordenada sob a forma de ideias, a criação, de modo que não
houve momento em que a ideia daquilo que teria sido criado não estivesse na
sabedoria…(Orígenes. Os princípios, livro I, 4, 4-5.)”
Orígenes defende que o Pai e o Filho
possuem a mesma essência. Ao contrário dos homens que
tornaram-se filhos de Deus pela adoção do Espírito: "Porquanto não
recebestes um espírito de escravidão para viverdes ainda no temor, mas
recebestes o espírito de adoção pelo qual clamamos: Aba! Pai!" (Romanos
8,15).
Orígenes afirma que Cristo é Filho
por natureza, "o Filho unigênito do Pai". (Orígenes. Os princípios,
livro I, 4, 4-5).
Maria no cristianismo
O pensamento de Orígenes chama
bastante atenção no que diz respeito a esse tema, pois além de afirmar a
virgindade de Maria, realça os olhos com que naturalidade afirma também a
imaculada conceição de Maria: "Desposada com José, mas não carnalmente
unida. A Mãe deste foi Mãe imaculada, Mãe incorrupta, Mãe intacta. A Mãe deste,
de qual este? A Mãe do Senhor, Unigênito de Deus, do Rei universal, do Salvador
e Redentor de todos." (Orígenes - Homilia inter collectas ex variis
locis).
Primado de Pedro
Conforme fragmento conservado na
"História Eclesiástica" de Eusébio, III, 1 Orígenes conta como foi o
martírio do apóstolo Pedro em Roma: "Pedro, finalmente tendo ido para
Roma, lá foi crucificado de cabeça para baixo".
E professa também o Primado de Pedro:
"E Pedro, sobre quem a Igreja de Cristo foi edificada, contra a qual as
portas do inferno não prevalecerão. (…)" (In Joan. T.5 n.3).
Batismo
Orígenes também atesta que a Igreja
deve batizar as crianças: "A Igreja recebeu dos Apóstolos a tradição de
dar batismo também aos recém-nascidos". (Epist. ad Rom. Livro 5,9).
Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Or%C3%ADgenes


