terça-feira, 27 de junho de 2017

PENSAMENTO , PALAVRA E AÇÃO. EM TUDO DAÍ GLÓRIA A DEUS.

Do Tratado sobre a verdadeira imagem do cristão, de São Gregório de Nissa, bispo

(PG46,283-286)      (Século IV)


Por toda a nossa vida manifestemos Cristo

             São três as coisas que manifestam e distinguem a vida cristã: a ação, a palavra e o pensamento. Das três, tem o primeiro lugar o pensamento. Em seguida, a palavra, que nos revela o pensamento concebido e impresso no espírito. Depois do pensamento e da palavra vem, na ordem, a ação, realizando por fatos o que o espírito pensou. Portanto, se alguma coisa na vida nos induz a agir ou a pensar ou a falar, é necessário que o nosso pensamento, a nossa palavra e a nossa ação sejam orientados para a regra divina daqueles nomes que descrevem a Cristo, de modo a nada pensarmos, nada dizermos e nada fazermos que se afaste do seu alto significado.

               Então, o que terá de fazer aquele que se tornou digno do grande nome de Cristo, a não ser examinar diligentemente os próprios pensamentos, palavras e ações, julgando se cada um deles tende para Cristo ou se lhe são estranhos? De muitas maneiras operamos este magnífico discernimento. Tudo quanto fazemos, pensamos ou falamos com alguma perturbação, de nenhum modo está de acordo com Cristo, mas traz a marca e a figura do inimigo, que mistura a lama das perturbações à pérola da alma para deformar e apagar o esplendor da joia preciosa.

           O que, porém, está livre e puro de toda afeição desordenada, relaciona-se como Autor e Príncipe da tranquilidade, o Cristo. Quem dele bebe, como de fonte pura e não poluída, as suas ideias e os seus sentimentos, revelará em si a semelhança com o princípio e a origem, tal como a água na própria fonte é igual à que corre no límpido regato e à que brilha na jarra.

              De fato, é uma só e mesma a pureza de Cristo e a que se encontra em nossos espíritos. Mas a pureza de Cristo brota da fonte, enquanto que a nossa dela flui e chega até nós, trazendo consigo a beleza dos pensamentos para a vida. Portanto, a coerência do homem interior e do exterior aparece harmoniosa, quando os pensamentos que provêm de Cristo guiam e movem a modéstia e a honestidade de nossa vida.

http://liturgiadashoras.org/oficiodasleituras/12tercaTC.html

sábado, 29 de abril de 2017

Do Diálogo sobre a divina Providência, de Santa Catarina de Sena
(Cap. 167, Gratiarum actio ad Trinitatem: ed.lat., Ingolstadi 1583, f.290v-291) (Séc.XIV)

Provei e vi
        Ó Divindade eterna, ó eterna Trindade, que pela união da natureza divina tanto fizeste valer o sangue de teu Filho unigênito! Tu, Trindade eterna, és como um mar profundo, onde quanto mais procuro mais encontro; e quanto mais encontro, mais cresce a sede de te procurar. Tu sacias a alma, mas de um modo insaciável; porque, saciando-se no teu abismo, a alma permanece sempre sedenta e faminta de ti, ó Trindade eterna, cobiçando e desejando ver-te à luz de tua luz.
        Provei e vi em tua luz com a luz da inteligência, o teu insondável abismo, ó Trindade eterna, e a beleza de tua criatura. Por isso, vendo-me em ti, vi que sou imagem tua por aquela inteligência que me é dada como participação do teu poder, ó Pai eterno, e também da tua sabedoria, que é apropriada ao teu Filho unigênito. E o Espírito Santo, que procede de ti e de teu Filho, deu-me a vontade que me torna capaz de amar-te.
        Pois tu, ó Trindade eterna, és criador e eu criatura; e conheci – porque me fizeste compreender quando de novo me criaste no sangue de teu Filho – conheci que estás enamorado pela beleza de tua criatura.
        Ó abismo, ó Trindade eterna, ó Divindade, ó mar profundo! Que mais poderias dar-me do que a ti mesmo? Tu és um fogo que arde sempre e não se consome. Tu és que consomes por teu calor todo o amor profundo da alma. Tu és de novo o fogo que faz desaparecer toda frieza e iluminas as mentes com tua luz. Com esta luz me fizeste conhecer a verdade.
        Espelhando-me nesta luz, conheço-te como Sumo Bem, o Bem que está acima de todo bem, o Bem feliz, o Bem incompreensível, o Bem inestimável, a Beleza que ultrapassa toda beleza, a Sabedoria superior a toda sabedoria. Porque tu és a própria Sabedoria, tu,o pão dos anjos, que no fogo da caridade te deste aos homens.
        Tu és a veste que cobre minha nudez; alimentas nossa fome com a tua doçura, porque és doce sem amargura alguma. Ó Trindade eterna!

FONTE: http://liturgiadashoras.org/oficiodasleituras/santacatarina-2sabadoPascoa.html

SANTA CATARINA - UMA MULHER A FRENTE DE SEU TEMPO

Catarina nasceu em 25 de março de 1347, na cidade de Sena, na Itália. Seus pais eram muito pobres e sua família era numerosa. Catarina teve uma infância conturbada. Não pode estudar, cresceu franzina e viveu sempre doente. Carregava no corpo os estigmas da Paixão de Cristo. Ainda jovem, Catarina tornou-se uma irmã leiga da Ordem Terceira Dominicana. 

Tinha visões durante as orações contemplativas e fazia rigorosas penitências. Já adulta enfrentou a dificuldade que muitos achariam impossível de ser vencida: o cisma católico. Catarina, mesmo analfabeta, assume a missão de reunir de novo a Igreja em torno de um só papa. 

Dois Papas disputavam o trono de Pedro, dividindo a Igreja e fazendo sofrer a população católica em todo o mundo. Ela viajou por toda a Itália e outros países, ditou cartas a reis, príncipes e governantes católicos, cardeais e bispos e conseguiu que o Papa legítimo, Gregório décimo primeiro, retomasse sua posição e voltasse para Roma. Fazia setenta anos que o Papado estava em Avinhão e não em Roma. 

Outra dificuldade foi a peste que matou pelo menos um terço da população européia. Ela lutou pelos doentes, curou com as próprias mãos e orações. Estava à frente dos padrões de sua época, quando a participação da mulher na Igreja era quase nula ou inexistente. 

Em meio a tudo isso, deixou obras literárias ditadas de alto valor histórico, místico e religioso. O livro: "Diálogo sobre a Divina Providência", é lido, estudado e respeitado até hoje. Catarina de Sena morreu no dia 29 de abril de 1380, após sofrer um derrame aos trinta e três anos de idade. Foi declarada "Doutora da Igreja" pelo Papa Paulo VI, em 1970 e mais tarde foi escolhida como patrona da Itália, junto com São Francisco.  

http://www.a12.com/santuario-nacional/santuario-virtual/santo-do-dia

sábado, 22 de abril de 2017

Das Catequeses de Jerusalém

(Cat. 22, Mystagogica 4,1.3-6.9: PG 33, 1098-1106)           Século.IV d.C

O pão do céu e a bebida da salvação 
        Na noite em que foi entregue, nosso Senhor Jesus Cristo tomou o pão e, depois de dar graças, partiu-o e deu-o a seus discípulos, dizendo: “Tomai e comei: isto é o meu corpo”. Em seguida, tomando o cálice, deu graças e disse: “Tomai e bebei: isto é o meu sangue” (cf. Mt 26,26-27; 1Cor 11,23-24). Tendo, portanto, pronunciado e dito sobre o pão: Isto é o meu corpo, quem ousará duvidar? E tendo afirmado e dito: Isto é o meu sangue, quem se atreverá ainda a duvidar e dizer que não é o seu sangue? 
        Recebamos, pois, com toda a convicção, o Corpo e o Sangue de Cristo. Porque sob a forma de pão é o corpo que te é dado, e sob a forma de vinho, é o sangue que te é entregue. Assim, ao receberes o corpo e o sangue de Cristo,te transformas com ele num só corpo e num só sangue. Deste modo, tendo assimilado em nossos membros o seu corpo e o seu sangue, tornamo-nos portadores de Cristo; tornamo-nos, como diz São Pedro, participantes da natureza divina (2Pd 1,4).  
        Outrora, falando aos judeus, dizia Cristo: Se não comerdes a minha carne e não beberdes o meu sangue, não tereis a vida em vós (cf. Jo 6,53). Como eles não compreenderam o sentido espiritual do que lhes era dito, afastaram-se escandalizados, julgando estarem sendo induzidos por Jesus a comer carne humana. 
        Na Antiga Aliança havia os pães da propiciação; por pertencerem ao Velho Testamento, já não mais existem. Na Nova Aliança, porém, trata-se de um pão do céu e de um cálice da salvação que santificam a alma e o corpo. Assim como o pão é próprio para a vida do corpo, também o Verbo é próprio para a vida da alma.  
        Por isso, não consideres o pão e o vinho eucarísticos como se fossem elementos simples e vulgares. São realmente o corpo e o sangue de Cristo, segundo a afirmativa do Senhor. Muito embora os sentidos te sugiram outra coisa, tem a firme certeza do que a fé te ensina. 
        Se foste bem instruído pela doutrina da fé, acreditas firmemente que aquilo que parece pão, embora seja como tal sensível ao paladar, não é pão, mas é o corpo de Cristo. E aquilo que parece vinho, muito embora tenha esse sabor, não é vinho, mas é o sangue de Cristo. Antigamente, bem a propósito, já dizia Davi nos salmos: O pão revigora o coração do homem, e o óleo ilumina a sua face (Sl 103,15). Fortifica, pois, teu coração, recebendo esse pão espiritual e faze brilhar a alegria no rosto de tua alma. 
        Com o rosto iluminado por uma consciência pura, contemplando como num espelho a glória do Senhor, possas caminhar de claridade em claridade, em Cristo Jesus, nosso Senhor, a quem sejam dadas honra, poder e glória pelos séculos sem fim. Amém.



FONTE: http://liturgiadashoras.org/oficiodasleituras/sabadoPascoa.html

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Da Homilia sobre a Páscoa, do bispo Melitão de Sardes, atual Turquia. (Século II d.C) 

O Cordeiro imolado libertou-nos da morte para a vida


Muitas coisas foram preditas pelos profetas sobre o mistério da Páscoa, que é Cristo, a quem seja dada a glória pelos séculos dos séculos. Amém (Gl 1,5). Ele desceu dos céus à terra para curar a enfermidade do homem; revestiu-se da nossa natureza no seio da Virgem e se fez homem; tomou sobre si os sofrimentos do homem enfermo num corpo sujeito ao sofrimento, e destruiu as paixões da carne; seu espírito, que não pode morrer, matou a morte homicida.
Foi levado como cordeiro e morto como ovelha; libertou-nos das seduções do mundo, como outrora tirou os israelitas do Egito; salvou-nos da escravidão do demônio, como outrora fez sair Israel das mãos do faraó; marcou nossas almas como sinal do seu Espírito e os nossos corpos com seu sangue.
Foi ele que venceu a morte e confundiu o demônio, como outrora Moisés ao faraó. Foi ele que destruiu a iniquidade e condenou a injustiça à esterilidade, como Moisés ao Egito.
Foi ele que nos fez passar da escravidão para a liberdade, das trevas para a luz, da morte para a vida, da tirania para o reino sem fim, e fez de nós um sacerdócio novo, um povo eleito para sempre. Ele é a Páscoa da nossa salvação.
Foi ele que tomou sobre si os sofrimentos de muitos: foi morto em Abel; amarrado de pés e mãos em Isaac; exilado de sua terra em Jacó; vendido em José; exposto em Moisés; sacrificado no cordeiro pascal; perseguido em Davi e ultrajado nos profetas.
Foi ele que se encarnou no seio da Virgem, foi suspenso na cruz, sepultado na terra e, ressuscitando dos mortos, subiu ao mais alto dos céus.
Foi ele o cordeiro que não abriu a boca, o cordeiro imolado, nascido de Maria, a bela ovelhinha; retirado do rebanho, foi levado ao matadouro, imolado à tarde e sepultado à noite; ao ser crucificado, não lhe quebraram osso algum, e ao ser sepultado, não experimentou a corrupção; mas ressuscitando dos mortos, ressuscitou também a humanidade das profundezas do sepulcro.

 Fonte: http://liturgiadashoras.org/oficiodasleituras/QuintaFeiraSanta.html



terça-feira, 18 de abril de 2017


A PLENITUDE DA SIMPLICIDADE

Disseram-me um dia, Senhor, que tu existias antes que ser algum existisse. Eu, então, pensei com terror nessa tua eterna solidão e quase tive pena de ti.
Não sabia eu, nesse tempo, que o teu eterno existir não era uma eterna solidão, um vácuo imenso, um deserto metafísico, mas, sim uma eterna epopeia de luzes e cores um drama de intensa atividade, um Universo de exuberante beleza.
Dentro do teu Divino poder fugia um sol imenso de saber e cantava um paraíso de querer -  e onde há poder, saber e querer existe a plenitude da felicidade.
Todas as energias do poder que em pequenas parcelas andam esparsas pelo vasto panorama do Cosmos residem, centralizadas em ti, o Pai Eterno.
Todas as luzes do saber que, com flamas celestes iluminam inteligências angélicas e humanas estuam no teu seio, ó Filho Eterno.
Todos os incêndios do querer que, em vivas labaredas, ardem em milhares de corações amantes, lavram com ilimitada potencia, em tuas profundezas, ó Eterno Espírito Santo.
A Eterna Divindade era um eterno intercâmbio de potência e amor, comunhão de Três e não solidão de Um.
Para nossa acanhada concepção humana, parece a multiplicidade excluir a unidade, mas no seio da Divindade, atinge a pluralidade o mais alto Zênite da unicidade.
Tão absoluta e inexorável é a unicidade do seu Ser, que nenhuma pluralidade do Agir vale destruir-lhe a unidade.
Ainda que pluri-color seja a luminosa faixa criada pelo prisma triangular, não deixa a luz solar de ser essencialmente uni-color, porque oni-color.
Nós, as criaturas, somos simples por deficiência; o Criador, porém, é simples por abundância. Nós, para não pôr em perigo a nossa relativa simplicidade, temos de evitar solicitamente a multiplicidade, para que a força centrífuga da dispersão não nos destrua a força centrípeta da coesão.
Tu, porém, meu Deus, podes aventurar-te aos mais longínquos horizontes da aparente dispersão, sem perder a mais perfeita centralização. Tão grande é o poder da tua unidade...Ó mistério da incompreensível Divindade!
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Por que pretendes, ó homem abranger com o finito o Infinito?
Por que queres eclipsar com uma lanterna fulgores do sol?
Por que estranhas que o oceano não caiba numa pequena concha?
Cala-te!...  Crê!...  Ama!... Adora!
                                                                                                  Autor: HUBERTO ROHDEN


Fonte:  ROHDEN, H. De Alma Para Alma. Ed.Martin Claret, 2011. Pág.21-22

domingo, 9 de abril de 2017

CONSAGRAÇÃO DA TERRA

Terra, minha querida, Grande Mãe e casa comum! Finalmente chegou tua hora de unir-te a Fonte de todo ser e de toda a vida.
Vieste nascendo para isso, lentamente a milhões e milhões de anos, grávida de energias criadoras. Teu corpo feito de poeira cósmica era uma semente no ventre das grandes estrelas vermelhas que depois explodiram, te lançando pelo espaço ilimitado. Vieste aninhar-te como embrião no seio de uma estrela ancestral, Tiamat, no interior da Via Láctea, transformada depois em Supernova. Ela também sucumbiu de tanto esplendor. E vieste, então, habitar no seio acolhedor de uma nebulosa onde já menina crescida, perambulava em busca de um lar.
E a Nebulosa se adensou virando um astro de esplêndida luz e calor, chamado Sol. Ele se enamorou de ti, te atraiu e te quis em sua casa, junto com Marte, Mercúrio, Vênus e outros gigantes planetas e celebrou o esponsal contigo.  De teu matrimônio com o sol nasceram filhos e filhas, frutos de tua ilimitada fecundidade, Mãe Gaia, desde os mais pequeninos, bactérias, vírus e fungos até os maiores e mais complexos seres vivos. E, como expressão nobre da história da vida, nos gerastes a nós, homens e mulheres.
Através de nós, tu, Terra querida, sentes, pensas, amas, falas e veneras. E agora,  Terra querida permite que realize o gesto de Jesus na força de seu Espírito. Como ele cheio de unção tomamos-te em nossas mãos impuras para pronunciar sobre ti a palavra sagrada que o Universo escondia  e tua ansiavas por ouvir: "HOC EST ENIM CORPUS MEUM: Isto é o meu corpo";  "HIC EST ENIM CALIX SANGUINIS MEI: Isto é meu sangue". E então sentir que o que era a terra se transformou em Paraíso, o Éden outrora perdido, e o que era vida humana se transfigurou em vida divina. O que era pão se fez corpo de Deus e o que era vinho se fez sangue sagrado.  Finalmente,  Terra, te fizeste Deus por participação. Em  fim na casa de Deus pai e de Deus mãe de infinita bondade e sabedoria.  Tu grávida do Espírito que faz novas todas as coisas rumo a um futuro seguro no qual toda a criação, mostrando sua real beleza, finalmente liberta de toda a corrupção. AMÉM!

Leonardo Boff, em “A força da Ternura”, editora Sextante, Pág. 91

ATEÍSMO

ATEÍSMO

LOUVOR AO CRIADOR

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