sábado, 22 de abril de 2017

Das Catequeses de Jerusalém

(Cat. 22, Mystagogica 4,1.3-6.9: PG 33, 1098-1106)           Século.IV d.C

O pão do céu e a bebida da salvação 
        Na noite em que foi entregue, nosso Senhor Jesus Cristo tomou o pão e, depois de dar graças, partiu-o e deu-o a seus discípulos, dizendo: “Tomai e comei: isto é o meu corpo”. Em seguida, tomando o cálice, deu graças e disse: “Tomai e bebei: isto é o meu sangue” (cf. Mt 26,26-27; 1Cor 11,23-24). Tendo, portanto, pronunciado e dito sobre o pão: Isto é o meu corpo, quem ousará duvidar? E tendo afirmado e dito: Isto é o meu sangue, quem se atreverá ainda a duvidar e dizer que não é o seu sangue? 
        Recebamos, pois, com toda a convicção, o Corpo e o Sangue de Cristo. Porque sob a forma de pão é o corpo que te é dado, e sob a forma de vinho, é o sangue que te é entregue. Assim, ao receberes o corpo e o sangue de Cristo,te transformas com ele num só corpo e num só sangue. Deste modo, tendo assimilado em nossos membros o seu corpo e o seu sangue, tornamo-nos portadores de Cristo; tornamo-nos, como diz São Pedro, participantes da natureza divina (2Pd 1,4).  
        Outrora, falando aos judeus, dizia Cristo: Se não comerdes a minha carne e não beberdes o meu sangue, não tereis a vida em vós (cf. Jo 6,53). Como eles não compreenderam o sentido espiritual do que lhes era dito, afastaram-se escandalizados, julgando estarem sendo induzidos por Jesus a comer carne humana. 
        Na Antiga Aliança havia os pães da propiciação; por pertencerem ao Velho Testamento, já não mais existem. Na Nova Aliança, porém, trata-se de um pão do céu e de um cálice da salvação que santificam a alma e o corpo. Assim como o pão é próprio para a vida do corpo, também o Verbo é próprio para a vida da alma.  
        Por isso, não consideres o pão e o vinho eucarísticos como se fossem elementos simples e vulgares. São realmente o corpo e o sangue de Cristo, segundo a afirmativa do Senhor. Muito embora os sentidos te sugiram outra coisa, tem a firme certeza do que a fé te ensina. 
        Se foste bem instruído pela doutrina da fé, acreditas firmemente que aquilo que parece pão, embora seja como tal sensível ao paladar, não é pão, mas é o corpo de Cristo. E aquilo que parece vinho, muito embora tenha esse sabor, não é vinho, mas é o sangue de Cristo. Antigamente, bem a propósito, já dizia Davi nos salmos: O pão revigora o coração do homem, e o óleo ilumina a sua face (Sl 103,15). Fortifica, pois, teu coração, recebendo esse pão espiritual e faze brilhar a alegria no rosto de tua alma. 
        Com o rosto iluminado por uma consciência pura, contemplando como num espelho a glória do Senhor, possas caminhar de claridade em claridade, em Cristo Jesus, nosso Senhor, a quem sejam dadas honra, poder e glória pelos séculos sem fim. Amém.



FONTE: http://liturgiadashoras.org/oficiodasleituras/sabadoPascoa.html

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Da Homilia sobre a Páscoa, do bispo Melitão de Sardes, atual Turquia. (Século II d.C) 

O Cordeiro imolado libertou-nos da morte para a vida


Muitas coisas foram preditas pelos profetas sobre o mistério da Páscoa, que é Cristo, a quem seja dada a glória pelos séculos dos séculos. Amém (Gl 1,5). Ele desceu dos céus à terra para curar a enfermidade do homem; revestiu-se da nossa natureza no seio da Virgem e se fez homem; tomou sobre si os sofrimentos do homem enfermo num corpo sujeito ao sofrimento, e destruiu as paixões da carne; seu espírito, que não pode morrer, matou a morte homicida.
Foi levado como cordeiro e morto como ovelha; libertou-nos das seduções do mundo, como outrora tirou os israelitas do Egito; salvou-nos da escravidão do demônio, como outrora fez sair Israel das mãos do faraó; marcou nossas almas como sinal do seu Espírito e os nossos corpos com seu sangue.
Foi ele que venceu a morte e confundiu o demônio, como outrora Moisés ao faraó. Foi ele que destruiu a iniquidade e condenou a injustiça à esterilidade, como Moisés ao Egito.
Foi ele que nos fez passar da escravidão para a liberdade, das trevas para a luz, da morte para a vida, da tirania para o reino sem fim, e fez de nós um sacerdócio novo, um povo eleito para sempre. Ele é a Páscoa da nossa salvação.
Foi ele que tomou sobre si os sofrimentos de muitos: foi morto em Abel; amarrado de pés e mãos em Isaac; exilado de sua terra em Jacó; vendido em José; exposto em Moisés; sacrificado no cordeiro pascal; perseguido em Davi e ultrajado nos profetas.
Foi ele que se encarnou no seio da Virgem, foi suspenso na cruz, sepultado na terra e, ressuscitando dos mortos, subiu ao mais alto dos céus.
Foi ele o cordeiro que não abriu a boca, o cordeiro imolado, nascido de Maria, a bela ovelhinha; retirado do rebanho, foi levado ao matadouro, imolado à tarde e sepultado à noite; ao ser crucificado, não lhe quebraram osso algum, e ao ser sepultado, não experimentou a corrupção; mas ressuscitando dos mortos, ressuscitou também a humanidade das profundezas do sepulcro.

 Fonte: http://liturgiadashoras.org/oficiodasleituras/QuintaFeiraSanta.html



terça-feira, 18 de abril de 2017


A PLENITUDE DA SIMPLICIDADE

Disseram-me um dia, Senhor, que tu existias antes que ser algum existisse. Eu, então, pensei com terror nessa tua eterna solidão e quase tive pena de ti.
Não sabia eu, nesse tempo, que o teu eterno existir não era uma eterna solidão, um vácuo imenso, um deserto metafísico, mas, sim uma eterna epopeia de luzes e cores um drama de intensa atividade, um Universo de exuberante beleza.
Dentro do teu Divino poder fugia um sol imenso de saber e cantava um paraíso de querer -  e onde há poder, saber e querer existe a plenitude da felicidade.
Todas as energias do poder que em pequenas parcelas andam esparsas pelo vasto panorama do Cosmos residem, centralizadas em ti, o Pai Eterno.
Todas as luzes do saber que, com flamas celestes iluminam inteligências angélicas e humanas estuam no teu seio, ó Filho Eterno.
Todos os incêndios do querer que, em vivas labaredas, ardem em milhares de corações amantes, lavram com ilimitada potencia, em tuas profundezas, ó Eterno Espírito Santo.
A Eterna Divindade era um eterno intercâmbio de potência e amor, comunhão de Três e não solidão de Um.
Para nossa acanhada concepção humana, parece a multiplicidade excluir a unidade, mas no seio da Divindade, atinge a pluralidade o mais alto Zênite da unicidade.
Tão absoluta e inexorável é a unicidade do seu Ser, que nenhuma pluralidade do Agir vale destruir-lhe a unidade.
Ainda que pluri-color seja a luminosa faixa criada pelo prisma triangular, não deixa a luz solar de ser essencialmente uni-color, porque oni-color.
Nós, as criaturas, somos simples por deficiência; o Criador, porém, é simples por abundância. Nós, para não pôr em perigo a nossa relativa simplicidade, temos de evitar solicitamente a multiplicidade, para que a força centrífuga da dispersão não nos destrua a força centrípeta da coesão.
Tu, porém, meu Deus, podes aventurar-te aos mais longínquos horizontes da aparente dispersão, sem perder a mais perfeita centralização. Tão grande é o poder da tua unidade...Ó mistério da incompreensível Divindade!
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Por que pretendes, ó homem abranger com o finito o Infinito?
Por que queres eclipsar com uma lanterna fulgores do sol?
Por que estranhas que o oceano não caiba numa pequena concha?
Cala-te!...  Crê!...  Ama!... Adora!
                                                                                                  Autor: HUBERTO ROHDEN


Fonte:  ROHDEN, H. De Alma Para Alma. Ed.Martin Claret, 2011. Pág.21-22

ATEÍSMO

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LOUVOR AO CRIADOR

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