terça-feira, 18 de abril de 2017


A PLENITUDE DA SIMPLICIDADE

Disseram-me um dia, Senhor, que tu existias antes que ser algum existisse. Eu, então, pensei com terror nessa tua eterna solidão e quase tive pena de ti.
Não sabia eu, nesse tempo, que o teu eterno existir não era uma eterna solidão, um vácuo imenso, um deserto metafísico, mas, sim uma eterna epopeia de luzes e cores um drama de intensa atividade, um Universo de exuberante beleza.
Dentro do teu Divino poder fugia um sol imenso de saber e cantava um paraíso de querer -  e onde há poder, saber e querer existe a plenitude da felicidade.
Todas as energias do poder que em pequenas parcelas andam esparsas pelo vasto panorama do Cosmos residem, centralizadas em ti, o Pai Eterno.
Todas as luzes do saber que, com flamas celestes iluminam inteligências angélicas e humanas estuam no teu seio, ó Filho Eterno.
Todos os incêndios do querer que, em vivas labaredas, ardem em milhares de corações amantes, lavram com ilimitada potencia, em tuas profundezas, ó Eterno Espírito Santo.
A Eterna Divindade era um eterno intercâmbio de potência e amor, comunhão de Três e não solidão de Um.
Para nossa acanhada concepção humana, parece a multiplicidade excluir a unidade, mas no seio da Divindade, atinge a pluralidade o mais alto Zênite da unicidade.
Tão absoluta e inexorável é a unicidade do seu Ser, que nenhuma pluralidade do Agir vale destruir-lhe a unidade.
Ainda que pluri-color seja a luminosa faixa criada pelo prisma triangular, não deixa a luz solar de ser essencialmente uni-color, porque oni-color.
Nós, as criaturas, somos simples por deficiência; o Criador, porém, é simples por abundância. Nós, para não pôr em perigo a nossa relativa simplicidade, temos de evitar solicitamente a multiplicidade, para que a força centrífuga da dispersão não nos destrua a força centrípeta da coesão.
Tu, porém, meu Deus, podes aventurar-te aos mais longínquos horizontes da aparente dispersão, sem perder a mais perfeita centralização. Tão grande é o poder da tua unidade...Ó mistério da incompreensível Divindade!
................................
Por que pretendes, ó homem abranger com o finito o Infinito?
Por que queres eclipsar com uma lanterna fulgores do sol?
Por que estranhas que o oceano não caiba numa pequena concha?
Cala-te!...  Crê!...  Ama!... Adora!
                                                                                                  Autor: HUBERTO ROHDEN


Fonte:  ROHDEN, H. De Alma Para Alma. Ed.Martin Claret, 2011. Pág.21-22

Nenhum comentário:

Postar um comentário

ATEÍSMO

ATEÍSMO

LOUVOR AO CRIADOR

LOUVOR AO CRIADOR