domingo, 2 de novembro de 2025
quarta-feira, 16 de julho de 2025
LIVRO O JARDIM E A PROMESSA
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sábado, 17 de maio de 2025
PAPA LEÃO XIV - PAZ, JUSTIÇA E VERDADE
DISCURSO DO PAPA LEÃO XIV AOS MEMBROS DO CORPO DIPLOMÁTICO
ACREDITADO JUNTO À SANTA SÉ
Sexta-feira, 16
de maio de 2025
No nosso diálogo, gostaria que tivéssemos presentes três
palavras-chave, que constituem os pilares da ação missionária da Igreja e do
trabalho da diplomacia da Santa Sé.
A
primeira palavra é PAZ. Demasiadas vezes pensamos nela como uma
palavra “negativa”, ou seja, como uma mera ausência de guerra e de conflito,
visto que o confronto faz parte da natureza humana e acompanha-nos sempre,
levando-nos demasiadas vezes a viver num “estado de conflito” constante: em
casa, no trabalho, na sociedade. A paz parece então uma simples trégua, uma
pausa de repouso entre uma disputa e outra, porque, por mais que nos
esforcemos, as tensões estão sempre presentes, um pouco como as brasas a arder
sob as cinzas, prontas a reacender-se a qualquer momento.
Na
perspectiva cristã – como na de outras experiências religiosas – a paz é,
principalmente, um dom: o primeiro dom de Cristo: «Dou-vos a minha paz» (Jo 14,
27). No entanto, essa paz é um dom ativo e envolvente, que diz respeito e
compromete a cada um de nós, independentemente da origem cultural e da filiação
religiosa, e que exige, sobretudo, um trabalho sobre si mesmo. A paz
constrói-se no coração e a partir do coração, erradicando o orgulho e as
pretensões, e medindo a linguagem, pois também com as palavras se pode ferir e matar,
não só com as armas.
Nesta
ótica, considero fundamental o contributo que as religiões e o diálogo
inter-religioso podem dar para promover contextos de paz. Isto exige,
evidentemente, o pleno respeito pela liberdade religiosa em todos os países,
uma vez que a experiência religiosa é uma dimensão fundamental da pessoa
humana, sem a qual é difícil, se não impossível, alcançar a purificação do
coração necessária para construir relações de paz.
A partir
deste trabalho, que todos somos chamados a fazer, é possível erradicar as
premissas de qualquer conflito ou vontade destrutiva de conquista. Isto exige
também uma abertura sincera ao diálogo, animada pelo desejo de encontro e não
de confronto. Naturalmente, também é necessária a vontade de deixar de produzir
instrumentos de destruição e morte, porque, como recordou o Papa Francisco na sua última Mensagem Urbi et Orbi: «Não é
possível haver paz sem um verdadeiro desarmamento! A necessidade que cada povo
sente de garantir a sua própria defesa não pode transformar-se numa corrida
generalizada ao armamento» [1].
A
segunda palavra é JUSTIÇA. A busca da paz exige a prática da
justiça. Como já referi, escolhi o meu nome a pensar principalmente em Leão
XIII, o Papa da primeira grande encíclica social, a Rerum novarum. Na mudança de época que
estamos a viver, a Santa Sé não pode deixar de fazer ouvir a sua voz perante os
numerosos desequilíbrios e injustiças que conduzem, entre outras coisas, a
condições indignas de trabalho e a sociedades cada vez mais fragmentadas e conflituosas.
É necessário também esforçar-se para remediar as desigualdades globais, que
veem a opulência e a indigência traçar sulcos profundos entre continentes,
países e mesmo no interior de cada sociedade.
Cabe aos
responsáveis governamentais esforçarem-se por construir sociedades civis
harmoniosas e pacíficas. Isto pode ser feito, principalmente, investindo na
família, fundada na união estável entre o homem e a mulher, uma “sociedade
muito pequena certamente, mas real e anterior a toda a sociedade civil” [2].
Além disso, ninguém pode deixar de favorecer contextos em que a dignidade de
cada pessoa é protegida, especialmente a das mais frágeis e indefesas, do
nascituro ao idoso, do doente ao desempregado, seja ele cidadão ou imigrante.
A minha
própria história é a de um cidadão, descendente de imigrantes, e também
emigrado. Cada um de nós, ao longo da vida, pode encontrar-se saudável ou
doente, empregado ou desempregado, na sua terra natal ou numa terra
estrangeira: a nossa dignidade, no entanto, permanece sempre a mesma, a de uma
criatura querida e amada por Deus.
A
terceira palavra é VERDADE. Não é possível construir relações realmente
pacíficas, mesmo no seio da comunidade internacional, sem a verdade. Quando as
palavras assumem conotações ambíguas e ambivalentes e o mundo virtual, com a
sua percepção alterada da realidade, ganha a dianteira sem medida, é difícil
construir relações autênticas, uma vez que se perdem as premissas objetivas e
reais da comunicação.
Por seu
lado, a Igreja nunca se pode furtar a dizer a verdade sobre o homem e sobre o
mundo, mesmo recorrendo, quando necessário, a uma linguagem franca, que pode
provocar alguma incompreensão inicial. A verdade, porém, nunca está separada da
caridade, que tem sempre na sua raiz a preocupação pela vida e pelo bem de cada
homem e mulher. Além disso, na perspectiva cristã, a verdade não é a afirmação
de princípios abstratos e desencarnados, mas o encontro com a própria pessoa de
Cristo, que vive na comunidade dos crentes. Assim, a verdade não nos aliena,
mas permite-nos enfrentar com maior vigor os desafios do nosso tempo, como as
migrações, o uso ético da inteligência artificial e a preservação da nossa
querida Terra. São desafios que exigem o empenho e a cooperação de todos, pois
ninguém pode pensar em enfrentá-los sozinho.
Caros Embaixadores,
O meu
ministério começa no coração de um ano jubilar, dedicado de modo especial à esperança.
É um tempo de conversão e de renovação e, sobretudo, uma oportunidade para
deixar para trás os conflitos e iniciar um novo caminho, animado pela esperança
de poder construir, trabalhando juntos, cada um segundo as suas sensibilidades
e responsabilidades, um mundo em que todos possam realizar a sua humanidade na
verdade, na justiça e na paz. Espero que isto possa acontecer em todos os
contextos, a começar pelos mais provados, como a Ucrânia e a Terra Santa.
Agradeço-vos
por todo o trabalho que fazeis para construir pontes entre os vossos países e a
Santa Sé e, de todo o coração, vos abençoo com as vossas famílias e os vossos
povos. Obrigado!
[1] Mensagem Urbi et Orbi, 20 de abril
de 2025.
[2] Leão XIII, Carta Encíclica. Rerum novarum, 15 de maio de 1891, 9.
Leia a integra do pronunciamento em:
https://www.vatican.va/content/leo-xiv/pt/speeches/2025/may/documents/20250516-corpo-diplomatico.html, acesso em 17 de maio de 2025.
sábado, 19 de abril de 2025
SÁBADO SANTO - A Descida do Senhor a Mansão dos Mortos
O RESGATE DE ADÃO
Autor desconhecido (século IV d. C)
domingo, 9 de fevereiro de 2025
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LOUVOR AO CRIADOR
