Do
Diálogo sobre a divina Providência, de Santa Catarina de Sena
(Cap. 167,
Gratiarum actio ad Trinitatem: ed.lat., Ingolstadi 1583, f.290v-291) (Séc.XIV)
Provei e vi
Ó Divindade eterna, ó eterna Trindade, que pela união da natureza divina tanto
fizeste valer o sangue de teu Filho unigênito! Tu, Trindade eterna, és como um
mar profundo, onde quanto mais procuro mais encontro; e quanto mais encontro,
mais cresce a sede de te procurar. Tu sacias a alma, mas de um modo insaciável;
porque, saciando-se no teu abismo, a alma permanece sempre sedenta e faminta de
ti, ó Trindade eterna, cobiçando e desejando ver-te à luz de tua luz.
Provei e vi em tua luz com a luz da inteligência, o teu insondável abismo, ó
Trindade eterna, e a beleza de tua criatura. Por isso, vendo-me em ti, vi que
sou imagem tua por aquela inteligência que me é dada como participação do teu
poder, ó Pai eterno, e também da tua sabedoria, que é apropriada ao teu Filho
unigênito. E o Espírito Santo, que procede de ti e de teu Filho, deu-me a
vontade que me torna capaz de amar-te.
Pois tu, ó Trindade eterna, és criador e eu criatura; e conheci – porque me
fizeste compreender quando de novo me criaste no sangue de teu Filho – conheci
que estás enamorado pela beleza de tua criatura.
Ó abismo, ó Trindade eterna, ó Divindade, ó mar profundo! Que mais poderias
dar-me do que a ti mesmo? Tu és um fogo que arde sempre e não se consome. Tu és
que consomes por teu calor todo o amor profundo da alma. Tu és de novo o fogo
que faz desaparecer toda frieza e iluminas as mentes com tua luz. Com esta luz
me fizeste conhecer a verdade.
Espelhando-me nesta luz, conheço-te como Sumo Bem, o Bem que está acima de todo
bem, o Bem feliz, o Bem incompreensível, o Bem inestimável, a Beleza que
ultrapassa toda beleza, a Sabedoria superior a toda sabedoria. Porque tu és a
própria Sabedoria, tu,o pão dos anjos, que no fogo da caridade te deste aos
homens.
Tu és a veste que cobre minha nudez; alimentas nossa fome com a tua doçura,
porque és doce sem amargura alguma. Ó Trindade eterna!
FONTE: http://liturgiadashoras.org/oficiodasleituras/santacatarina-2sabadoPascoa.html
SANTA CATARINA - UMA MULHER A FRENTE DE SEU TEMPO
Catarina nasceu
em 25 de março de 1347, na cidade de Sena, na Itália. Seus pais eram muito
pobres e sua família era numerosa. Catarina teve uma infância conturbada. Não
pode estudar, cresceu franzina e viveu sempre doente. Carregava no corpo os
estigmas da Paixão de Cristo. Ainda jovem, Catarina tornou-se uma irmã leiga da
Ordem Terceira Dominicana.
Tinha visões durante as orações contemplativas e fazia rigorosas penitências. Já adulta enfrentou a dificuldade que muitos achariam impossível de ser vencida: o cisma católico. Catarina, mesmo analfabeta, assume a missão de reunir de novo a Igreja em torno de um só papa.
Dois Papas disputavam o trono de Pedro, dividindo a Igreja e fazendo sofrer a população católica em todo o mundo. Ela viajou por toda a Itália e outros países, ditou cartas a reis, príncipes e governantes católicos, cardeais e bispos e conseguiu que o Papa legítimo, Gregório décimo primeiro, retomasse sua posição e voltasse para Roma. Fazia setenta anos que o Papado estava em Avinhão e não em Roma.
Outra dificuldade foi a peste que matou pelo menos um terço da população européia. Ela lutou pelos doentes, curou com as próprias mãos e orações. Estava à frente dos padrões de sua época, quando a participação da mulher na Igreja era quase nula ou inexistente.
Em meio a tudo isso, deixou obras literárias ditadas de alto valor histórico, místico e religioso. O livro: "Diálogo sobre a Divina Providência", é lido, estudado e respeitado até hoje. Catarina de Sena morreu no dia 29 de abril de 1380, após sofrer um derrame aos trinta e três anos de idade. Foi declarada "Doutora da Igreja" pelo Papa Paulo VI, em 1970 e mais tarde foi escolhida como patrona da Itália, junto com São Francisco.
Tinha visões durante as orações contemplativas e fazia rigorosas penitências. Já adulta enfrentou a dificuldade que muitos achariam impossível de ser vencida: o cisma católico. Catarina, mesmo analfabeta, assume a missão de reunir de novo a Igreja em torno de um só papa.
Dois Papas disputavam o trono de Pedro, dividindo a Igreja e fazendo sofrer a população católica em todo o mundo. Ela viajou por toda a Itália e outros países, ditou cartas a reis, príncipes e governantes católicos, cardeais e bispos e conseguiu que o Papa legítimo, Gregório décimo primeiro, retomasse sua posição e voltasse para Roma. Fazia setenta anos que o Papado estava em Avinhão e não em Roma.
Outra dificuldade foi a peste que matou pelo menos um terço da população européia. Ela lutou pelos doentes, curou com as próprias mãos e orações. Estava à frente dos padrões de sua época, quando a participação da mulher na Igreja era quase nula ou inexistente.
Em meio a tudo isso, deixou obras literárias ditadas de alto valor histórico, místico e religioso. O livro: "Diálogo sobre a Divina Providência", é lido, estudado e respeitado até hoje. Catarina de Sena morreu no dia 29 de abril de 1380, após sofrer um derrame aos trinta e três anos de idade. Foi declarada "Doutora da Igreja" pelo Papa Paulo VI, em 1970 e mais tarde foi escolhida como patrona da Itália, junto com São Francisco.


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